10 de jul de 2010

Águas d'Alma

Asas abertas no céu da alma...

Sem dores, pesadelos, mágoas...

Deslizar misterioso que acalma...

Mergulho em sedentas águas...


O desejo em gotas se derrama...

Magia constante, sem tréguas...

Futuro que o passado reclama...

Na suavidade de doces águas...


O olhar se fecha e nele deságuas...

Menina dos olhos, luz dos poemas...

Doce mistério das amadas águas...

Abraço eterno e intenso de almas...

(Marcos Ernani)

"Deveríamos ser sensíveis como as crianças,
que sentem alegria nas pequenas coisas..."


Adeus,


que é tempo de marear!



Por que procuram pelos olhos meus

rastros de choro,

direções de olhar?



Quem fala em praias de cristal e de ouro,

abrindo estrelas nos aléns do mar?

Quem pensa num desembarcadouro?

- É hora, apenas, de marear.



Quem chama o sol? Mas quem procura o vento?

e âncora? e bússola? e rumo e lugar?

Quem levanta do esquecimento

esses fantasmas de perguntar?



Lenço de adeuses já perdi...Por onde?

- na terra, andando, e só de tanto andar...

Não faz mal. Que ninguém responde

a um lenço movido no ar...



Perdi meu lenço e meu passaporte

- senhas inúteis de ir e chegar.

Quem lembra a fala da ausência

num mundo sem correspondência?



Viajante da sorte na barca da sorte,

sem vida nem morte...



Adeus,

que é tempo de marear!



CECÍLIA MEIRELES