18 de jul de 2010

Tua borboleta


Me soltaste no ar,
mas como a chuva não me permite voar
faço pouso no meu jardim de inverno.
Aqui dentro tento imitar a formiga,
guardando o alimento essencial
para os momentos da tua ausência.
Sonho abrigada nas nossas fantasias,
vôo de pétala em pétala,
guardo pólen de amor.

Troco de asas a cada instante
ora discretas ora coloridas
até mesmo preta eu uso
pois trouxe comigo a tua luz
Para o casulo não volto...
Quando céu clarear
vou escolher as asas mais sedutoras
e vou te buscar...
Para o teu corpo polinizar.
R.A.K

(Marcos Ernani)

"Deveríamos ser sensíveis como as crianças,
que sentem alegria nas pequenas coisas..."


Adeus,


que é tempo de marear!



Por que procuram pelos olhos meus

rastros de choro,

direções de olhar?



Quem fala em praias de cristal e de ouro,

abrindo estrelas nos aléns do mar?

Quem pensa num desembarcadouro?

- É hora, apenas, de marear.



Quem chama o sol? Mas quem procura o vento?

e âncora? e bússola? e rumo e lugar?

Quem levanta do esquecimento

esses fantasmas de perguntar?



Lenço de adeuses já perdi...Por onde?

- na terra, andando, e só de tanto andar...

Não faz mal. Que ninguém responde

a um lenço movido no ar...



Perdi meu lenço e meu passaporte

- senhas inúteis de ir e chegar.

Quem lembra a fala da ausência

num mundo sem correspondência?



Viajante da sorte na barca da sorte,

sem vida nem morte...



Adeus,

que é tempo de marear!



CECÍLIA MEIRELES