14 de jul de 2010

JARDIM DA FANTASIA

Sonho, miragem, alucinação,
som, imagem, oração.
obra-prima do criador,
seu nome é amor.
lhe trago vaso de versos
vermelhos.
colhidos no jardim
dos espelhos
 imaginários.
Colhidos em ti;
rosas mais rosas,
desejos mais ousados;
vento que roça
sua face,
como um só beijo;
brisa.
rócio,
fica como brasa,
louco como ópio.
aromado de amor,
raiado de arco-íris,
riscado de beija-flor,
como se fosse uníco,
estivesse úmido,
estrela do mar,
céu estelar!...

[gustavo drummond]

(Marcos Ernani)

"Deveríamos ser sensíveis como as crianças,
que sentem alegria nas pequenas coisas..."


Adeus,


que é tempo de marear!



Por que procuram pelos olhos meus

rastros de choro,

direções de olhar?



Quem fala em praias de cristal e de ouro,

abrindo estrelas nos aléns do mar?

Quem pensa num desembarcadouro?

- É hora, apenas, de marear.



Quem chama o sol? Mas quem procura o vento?

e âncora? e bússola? e rumo e lugar?

Quem levanta do esquecimento

esses fantasmas de perguntar?



Lenço de adeuses já perdi...Por onde?

- na terra, andando, e só de tanto andar...

Não faz mal. Que ninguém responde

a um lenço movido no ar...



Perdi meu lenço e meu passaporte

- senhas inúteis de ir e chegar.

Quem lembra a fala da ausência

num mundo sem correspondência?



Viajante da sorte na barca da sorte,

sem vida nem morte...



Adeus,

que é tempo de marear!



CECÍLIA MEIRELES