29 de jul de 2010

Não confio....

não confio em mim. não confio em ti.
não confio em nós.
o mais apropriado é não fazermos verbos
em quartos de silêncio, em corpos de
natureza ruidosa de actos,
na extensão rasteira das nuvens,
em ruínas de poemas,
verbos que tratam algumas palavras
por substantivos, substantivos
que estimulam e reprimem verbos
que fazem rachaduras nos lábios
iluminando proibições na fala.
não confio em mim. não confio em ti.
não confio em nós.
(Sylvia Beirute)

(Marcos Ernani)

"Deveríamos ser sensíveis como as crianças,
que sentem alegria nas pequenas coisas..."


Adeus,


que é tempo de marear!



Por que procuram pelos olhos meus

rastros de choro,

direções de olhar?



Quem fala em praias de cristal e de ouro,

abrindo estrelas nos aléns do mar?

Quem pensa num desembarcadouro?

- É hora, apenas, de marear.



Quem chama o sol? Mas quem procura o vento?

e âncora? e bússola? e rumo e lugar?

Quem levanta do esquecimento

esses fantasmas de perguntar?



Lenço de adeuses já perdi...Por onde?

- na terra, andando, e só de tanto andar...

Não faz mal. Que ninguém responde

a um lenço movido no ar...



Perdi meu lenço e meu passaporte

- senhas inúteis de ir e chegar.

Quem lembra a fala da ausência

num mundo sem correspondência?



Viajante da sorte na barca da sorte,

sem vida nem morte...



Adeus,

que é tempo de marear!



CECÍLIA MEIRELES